2.6.15

Pê 529


Dou voltas a cabeça. E ao coração. E vai mais um dia. E mais uma noite onde era suposto ter dormido e não dormi. Que não devia ter sonhado e sonhei.
Sonho. Muito. Com o que foi. Com o que gostaria que tivesse sido. Sonho com a casa que idealizamos. Onde nos sonhei a ganhar rugas. Com a tal cerca branca (ou amarela, ou azul, who cares…). Com as realidades paralelas em que vivi, construi, e agora, à força não sei muito bem do quê, tento destruir.

Sonho acordada, e vivo em sonhos, numa apatia estupida como se a esperar que algo chegue, algo que sei que não vem. Como se estivesse em pausa. Como se a minha vida estivesse em pausa, há já quase um ano.

Esqueci-te. Ou antes, tento esquecer-te. Tento apagar-te da minha memória. E pior, muito pior, do meu coração. Tento apagar memórias, sons, cheiros, sonhos. Mas descobri que não se desVê, não se desOuve, não se desSente.

Por mais que atropele os dias com jantares, saídas, musica, leituras e outros tantos subterfúgios, tentando abafar tudo que me vai cá dentro, percebo que não há nada mais que o tempo para me ajudar.

“É dar tempo ao tempo”. É aprender que o luto não tem o tempo que gostaríamos que tivesse e que nos dava jeito. É perceber que não é por mais esforço, ou menos, que as coisas andam mais rápido e as coisas passam. Que o luto tem o tempo que deve ter, e que as feriadas só ficam bem saradas quando esperamos, e não só porque queremos.

É deixar de estar com atenção para perceber quando ouço a porta do quarto a bater para clicar na máquina de café. É deixar de te ver encostado ao balcão da cozinha, enquanto tomas café e fumas um cigarro, a sorrir a olhar para mim, enquanto eu tomo o pequeno-almoço. É esperar acordar um dia e perceber, já depois da hora de almoço, que “só agora pensei em ti”.

É esperar acordar um dia e não doer quando se põe os pés no chão e se cai na realidade. É não sentir que se anda a gastar dias, horas, momentos, vida. É gostar da realidade.

É deixar de odiar todos os casais que se vê de mão dada na rua. E sorrir para a senhora que se senta ao nosso lado no metro. É acordar um dia e gostar do cheiro a azul que o céu tem.

Bjs Mts 
*Pê*

22.5.15

Pê 528

PIDO SILENCIO

(...)
no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera
por que tú me sigas mirando.

Amigos, eso es cuanto quiero.
Es casi nada y casi todo.
(...)

Pablo Neruda

Bjs Mts 
*Pê*

5.5.15

Pê 527

Foste.
És.
Não sei.
Não quero saber.
Quero?
Talvez...
Mas dói.
Ou não.
Saudades.
Do que foi.
E do que podia ter sido.
Não sei de ti.
Também não quero saber.
Imagino-te feliz.
Espero que sim.
Gosto de ti.
E sei que também gostas de mim.
Foste parte de mim.
Continuas a ser.
Uma parte pequenina.
Vais ficar lá para sempre.
Porque os grandes amores não se esquecem.
Vivem-se.
E morrem.
O nosso amor morreu.
E parte do meu coração também.
Sempre que precisares de mim, sabes que eu estou aqui.
Porque para sempre, parte de mim será tua.
Aquela parte que mais ninguém conheceu.
Aquela que amava sem razão.
Hoje já nada faz sentido.
Ou não.
Contigo nada fazia sentido.
E éramos felizes.
Espero que continues a sê-lo.
Sem mim.
Ou não.

Bjs Mts 
*Pê*

16.4.15

Pê 526

(Podemos fazer de conta que este texto não foi escrito, como "fizemos" com a msg que te mandei no face sobre o "queria-te. Para pai dos meus filhos".
Ou posso ler-te frente a frente e explicar-te alguma coisa que aqui digo para não tirares conclusões precipitadas.
Ou... não acrescento hipótese C porque seria certamente um disparate, mas deixo em aberto para ti. You choose.)

Estou calma.
Talvez porque agora já não tenho medo. Porque todos os medos aconteceram. E isso deixa-me estranhamente calma.

Não fui a pessoa que tu idealizaste, a pessoa que tu achaste que eu era, e que durante tanto tempo me culpei por não conseguir ser.
Neste momento estou finalmente em paz com isso. Em paz comigo porque percebo que o problema não foi/é meu.

Eu aceitei-te, sem querer mudar os teus comportamentos e atitudes. Não por achar que eras perfeito, mas porque te aceitava como eras.
Tu não me aceitaste. Não como eu sou, coisa que não podes dizer que não sabias, pois conheces-me há demasiado tempo.
Eu nunca te quis diferente e tu, no entanto, fizeste-me sentir mal porque eu não era aquilo que tu esperavas, que tu sonhavas, que tu almejavas para a pessoa que estava ao teu lado. E triste, porque tu me quiseste diferente.

Neste momento aceito que precisávamos desta volta, por mais pequena que tenha sido, para que tu visses e para que eu percebesse, largasse as amarras e finalmente conseguisse andar para a frente.
E percebi, larguei e vou conseguir.
Eu não posso ser quem não sou, não posso prometer mais daquilo que não tenho, e por mais que aceite que se limem arestas, não acho que se mudem maneiras de ser.

Posso dizer que foi melhor assim, porque já não me perdoava por não compreender o que não estava a fazer bem, o que não estava a conseguir entender, o que não estava a conseguir ser.
E basicamente só não estava a conseguir ser o que tu sonhaste para ti. Que não sou eu.
We were never meant to be, como tu tão bem o disseste.

Os sonhos são isso mesmo, sonhos.
Eu sou uma pessoa, carne e osso apenas (e 21g de alma), e por mais que te amasse, deveria ter-me lembrado, ou nunca me ter esquecido, que me amo a mim, e que tenho eu que ser feliz primeiro, antes de tentar deixar que alguém me faça (mais) feliz.
A pessoa perfeita não existe, a relação idílica não existe, o futuro imaculado não existe.

Vai existir sim, alguém que me aceite como eu sou, que ache piada as minhas características (porque as pessoas não tem defeitos, tem características), que lute por mim, que goste e queira ler o que escrevo (já que tenho a mania de me expressar por escrito - acho que é para estruturar pensamentos, não me perder, não me esquecer de nada... E acima de tudo porque no imediato prefiro não dizer nada que me possa arrepender), que não abandone o barco, que não me queira diferente, e que acima de tudo, eu sinta que me ama por aquilo que eu sou, e não por uma nota de intenção que eu posso nunca conseguir cumprir.

A vida anda, as pessoas separam-se, deixam para trás a metade que não lhes pertence e recuperam a metade que tinham entregue e, quem era importante deixa de o ser tanto.
As relações mudam, e não podemos ter dos outros só aquilo que gostamos (o companheirismo, a brincadeira, todos os pontos em comum), ou sequer podemos esperar que tudo volte a ser como era antigamente.

Por isso, e embora eu tenha prometido que não vou desaparecer (e não vou), espero que entendas que preciso do meu espaço. Que preciso do meu sossego, do meu lugar em paz.
Nunca tive passarinhos para me confrontarem com (meias) verdades, não quero agora saber/ver na "fonte" o que nunca quis saber antes.

Espero, do fundo do coração, que encontres aquilo que procuras, as tais 5 características que queres (embora eu acredite que de facto será uma sorte se tiver duas), e que nesse momento lutes, vivas e sejas feliz para sempre.

Bjs Mts 
*Pê*

15.4.15

Pê 525

Quero...
Quero que saibas que quando estou demasiado “feliz” é porque estou nervosa.
Que gosto do número 6. E 26. E da cor verde. E de massa com ovos.
Que só gosto de chocolate preto.
Que tenho 5f negras.
Que quando faço birra é por ciúme miudinho.
Que quando amuo, só preciso dum beijo na testa e dum abraço.
Que quando gosto, gosto muito. Gosto demais.
Que quando prometo a mim, cumpro sempre.
Que gosto de cafuné.
Que preciso de sentir que gostas de mim. E de o ouvir.
Que gosto que me digam que estou bonita.
Que há dias que só quero pousar a cabeça no teu peito, e ficar em silencio.
Que tenho medos, e receios, e que preciso que volta e meia me acalmes.
Que tenho um passado, mas que por mais que eu me refira a ele, ele esta resolvido.
Que gosto que me dês a mão quando atravesso a rua.
Que embora saiba que não gostas de dançar, que espero que me abraces e o faças comigo.
Que quando falamos de filhos e futuro, eu vou estar a decorar todas as palavras e a sonhar com isso.
Que promessa é divida. E que pinky promise é a dobrar.
Que quando estou meia a dormir não digo nada de jeito.
Que a música que estou a ouvir espelha o meu humor.
Que tenho mau feitio, e bom feitio, e que misturo os dois.
Que gosto de escrever para assentar ideias.
Que escrevo tudo aquilo que não quero esquecer, embora muitas vezes nunca mais lá volte a ler.
Que quando meto uma coisa na cabeça, dificilmente a tiro.
Que silêncios e olhares profundos dizem mais que mil palavras.
Que as minhas flores preferidas são as tulipas.
Que não preciso de flores nem chocolates mas preciso de post its com um beijo de bom dia, ou uma msg de boa noite.
Que perco a cabeça e desatino mas nunca digo nada que possa magoar.
Que muitas vezes não sei reagir, mas que te vou perguntar como o devo fazer.
Que quero saber que música ouves, e ouvi-la também.

Desculpa, quero não, eu preciso que saibas!

Bjs Mts 
*Pê*

Pê 524

Perdeste-me. Não porque eu quis, mas porque tu quiseste.

Quiseste assentar as ideias que já tinhas desde a passagem de ano, e sem pensar em mais ninguém que não em ti, tiveste estes 15 dias para comprovar que tinhas razão.
Não te condeno, porque no meio disto só te posso agradecer. Se calhar era o xuto que eu estava a precisar para andar para a frente, já que por mim não estava a conseguir.
Não gostas de mim como sou. Devia ser outra maneira. Não sou. Por mais que eu me tivesse esforçado (que pelos vistos não se percebeu), não consegui. E quem sabe não foi melhor assim, porque um dia quem sabe acordava a perceber que não era eu.
Desta vez não houve acusações sobre os outros, sobre nada mais que não o eu que não consegue reagir certo as coisas, as tuas reacções, medos e afins.
Há coisas no entanto que não entendo.
Não dormias bem e em minha casa dormiste 10h.
Eu ia tomar conta dos putos quando se magoassem e tu ias levantar-te todas as noites quando chorassem.
Íamos fazer piqueniques.
Eu só podia engravidar em abril para eles nascerem em janeiro.

E outras... Coisas às quais eu não me quis agarrar, por saber que podiam estar a ser ditas sem se pensar nelas. E no entanto, ao fim dum tempo, tu vais acreditando. Não porque queres mas porque vais ouvindo mais e mais. E no final dizem-te que não podes ouvir o que queres quando o que ouviste foi um "amo-te" e no entanto não era o amor que tu querias e sim um outro que se sente por "qualquer um".

Desta vez prometi a mim que não chorava. Vou cumprir. Não te esqueças que as promessas que faço a mim são sempre as mais importantes. E desta vez sei que vai custar menos. Porque custa sempre. E aprendi que não adianta segundas chances. E que desta vez não vou ficar aqui, à espera de nada, por isso vou rapidamente sair desta. A custa de máscaras, esforço, música e acima de tudo, amor-próprio.
Porque vendo bem, como posso gostar de alguém que não gosta de mim? Para quem não sou suficientemente boa? Que tenho falhas que são inconciliáveis?
Desculpa, mas gosto demais de mim. E não tenho todo o tempo do mundo. Por isso se antes não quis ver defeitos, nada que me ajudasse a desamar-te, agora vou agarrar-me a tudo o que puder.

Bjs Mts 
*Pê*

Pê 523

Expectativas? Tb tinha muitas, sobre ti. Criei e imaginei muita coisa na minha cabeça. E tu falhaste. Mas a culpa não foi tua, foi minha, porque eu criei algo na minha cabeça... Mesmo assim eu resolvi aceitar-te com todos os defeitos. Pq não se amam expectativas e ilusões. Amam-se pessoas reais que não são aquilo que nós imaginamos. São pessoas que tem um passado, uma história, e um motivo para serem como são.

Não te posso dizer tudo aquilo que sonhei que fomos, somos e seríamos. Posso só dizer-te que fizeste parte dos sonhos mais importantes.
Queria-te. Para pai dos meus filhos (ouvi dizer que vou ter três). Queria-te com toda a certeza. E tens essa certeza, que é o homem da tua vida, quando pensas em ter um filho e quase que das por ti a pedir que seja igual ao pai, sem tirar nem por. Não porque achas que é perfeito, mas porque gostas de tudo, até dos defeitos. Porque fazem dele Ele. E dele teu. E tu queres um filho igual. Não melhor, não pior, não diferente. Igual!

Neste momento já não fazes parte nem do dia-a-dia.

O dormir juntos, o ao meu lado dormires 10h, o frigorífico no jipe, os piqueniques, o almoço na Baixa esta 5f, as pinky promises da criança que chorar vais lá tu, o teu tipo de sangue (B+ achas tu).
E dizes-me que voltamos ao mesmo e a falar do que vamos fazer e das refeições? Quando nem pq sabes q eu vou chegar tarde dizes q passas em algum lado? Ou te ofereces para me ir buscar?!

Isto tinha tudo para dar errado, os gatos, o nenhum pensar em sair de sua casa, etc... Mas no entanto eu imaginei que iria ser possível. Não foi. E não foi pelo motivo mais básico, o eu...
Hoje perguntei-te se querias que lutasse, se valia a pena. Disseste peremptoriamente que não. Esperarás tu que eu fique aqui eternamente? O tempo passa, as coisas marcam, os medos doem e aceitam-se. Os erros tentam não se voltar a cometer.

Vais olhar para os quadros, para o relógio, máquina de café, interruptor da sala. Para tudo e vais-me ver a mim. Eu não tenho nada que me faça ver-te a ti!!! Agradeço-te isso!!!

Bjs Mts 
*Pê*

9.3.15

Pê 522


Estive aqui pouco tempo, eu sei. E tb sei que fui eu que quis e fiz questão de estar.
Mas neste momento o que achei que me ajudaria, em nada me está a fazê-lo. Voltei a chorar. Choro todos os dias depois de estar ctg, e isso não me faz bem. Cada vez mais sinto que estás longe, e que não vais voltar.

E em nada a ti te acuso, tu foste o primeiro a dizer que não querias saber de mim, de todas as formas que foi possível dizer isso.
E eu agora sinto-o. Demasiado presente. Demasiado sentido, se é que isso existe.

Fiz um teste a mim mesma, tentei perceber se mudando a atitude tinha resultados diferentes. E tive-os. Só que foi o oposto do esperado. Não me ajudou a esquecer-te, ajudou a reavivar tudo, a voltar a ver e a estar com tudo aquilo que amo, e que não tenho, nem vou ter.
E porque não tem tendência a melhorar, e porque um dia vou ouvir o que não quero, e porque não sentes por mim aquilo que eu quero, que eu preciso, que eu anseio, eu saio. Por mim, não por ti.

Continuarei aqui para o que precisares, mas não nesta base. Não nesta angústia e ansiedade. Nesta tristeza. Não em versão paz podre.
Numa versão em tudo semelhante ao que te disse dois dias antes de começarmos a andar. Que preciso afastar-me para deixar de sentir.

Preciso de dar isso a mim.
Se calhar precisei desta dose de vida real para finalmente matar a esperança. Para voltar a bater no fundo (fundo esse de que talvez nunca tenha saído).

Desculpa o entra e sai, o estar e não estar, o dá e tira. Mas como tu próprio disseste, se há pessoa a quem eu digo tudo é a ti, a ti te estou a dizer. Espero que compreendas.

E não, não espero resposta pq acima de tudo, acho que a confirmação de tudo, só fará doer mais.   

Bjs Mts 
*Pê*

16.2.15

Pê 521

Li um texto algures, sobre a importância de lutar. A importância de não desistir, de não largar os remos.
E claro está, lembrei-me de nós. Lembrei-me da sensação que ainda perdura cá dentro, de ter sido “abandonada”. E hoje com a agravante de ter sido “acusada” de não ter lutado.
Voltei atrás. Desci novamente muitos degraus. Não voltei à casa de partida, mas cada vez que te vejo, ou falo contigo, nem que seja por msg, sinto-me a voltar atrás, cada vez mais atrás.
E não queria. E não mereço. Mas também não controlo. Agarro-me ao pensamento que só assim é porque de facto gostei (e gosto) muito de ti. Ou da ideia de ti, de nós. A ideia de ter sido muito feliz, de ter sentido pela primeira vez uma paz, uma calma, um amor tranquilo e gigante, que me fazia sorrir só porque sim.
Voltei atrás. Voltei a fase de ouvir as músicas e chorar só porque respiro. Só porque dói, quando achava que já doía menos. E embora acredite que chorar ajuda, confesso que não tenho sentido isso. Sinto que não me deixa avançar, que me enevoa a visão, e não me deixa levantar.
Voltei atrás. Dói-me o coração, tremem-me as pernas, quando a janelinha com o teu nome aparece no meu ecrã. Respiro a mil, tenho medo de ler.
Mas pior, muito pior, dói-me a ausência de ti, a ausência da tua voz, das tuas mãos. Dos teus (nossos) beijos. Os melhores beijos do mundo, lembras-te?
Voltei atrás. Voltei a ter que escrever, a sentir que tenho que tirar a dor de dentro de mim. Tenho que tirar este nó da garganta que não me deixa respirar livremente. Quero voltar a sorrir só porque acordei.
Neste momento acordar é a pior altura do dia novamente. É o cair em mim duma realidade que não escolhi nem quero para mim. Uma realidade onde tu não estás, mas onde te vejo em todos os momentos. Onde a tua falta causa em mim uma dor verdadeira, real, sentida em todas as células.
Voltei atrás. Quero quem não me quer, amo quem não me ama, e não consigo gerir essa falta, essa perda, essa ausência.

Bjs Mts 
*Pê*